21 novembro, 2015

Renúncia


Você fez parte de muita coisa, e hoje faz parte do tudo que há dentro de mim, e talvez por esse motivo, sim talvez, entre tantos motivos esse seja o mais importante, hoje eu preciso te deixar.
Demorei muito, fiz algumas tentativas, todas falhas, de te abandonar pelo caminho, de não mais permitir que teu ser inunde o meu viver, ou melhor dizendo, não me permitir mais afundar-me em você. Hoje eu não vou falhar. A decisão já estava tomada há meses, faltava coragem, talvez oportunidade. Ainda não tive a oportunidade e tampouco tenho coragem, mas hoje eu preciso ser forte, hoje eu preciso ser eu, e assim como você se coloca sempre em primeiro lugar hoje eu preciso vim à diante, saltar à tona neste mar de passividade que está me afogando. Detesto frases clichês mas me é impossível deixar de te lembrar dos amores mal cultivados, das plantas secas ao sol escaldante do meio dia. Por meses eu tentei te mostrar o que é o amor, e por meses eu te dei tudo aquilo que eu queria receber em troca, e não foi por falta de explicações. Você gostou do carinho que recebeu, mas preferiu não repartir o que te foi dado. E eu cansei. Cansei de viver em segundo plano, cansei de contentar-me com pouco, cansei de receber menos que migalhas do que dei.
Me desculpe meu coração, mas hoje vou te arrancar de dentro de mim. E sei que os próximos passos serão os mais difíceis e dolorosos, toda a mágoa, o remorso, além daquela insistente sensação de que poderia ter dado certo, poderia.... Acontece que eu não vivo de "poderias" e já não aguento mais esperar por algo que sempre me recusei a entender. Você nunca vai ser pra mim o que sou pra você. Hoje eu te arranco de dentro de mim, e esse buraco vai sangrar, vai sangrar muito e com quase absoluta certeza eu o vou tocar com minhas mãos sujas, e ele vai infeccionar. E sem medicina que cure alma, não sei quanto tempo isso vai demorar pra parar de doer, mas hoje eu não quero saber, ainda que fique uma cicatriz que tatuagem nenhuma possa tapar, hoje você vai perder o seu lugar.
(Ou finalmente eu me resgatarei do fundo do teu mar.)

Um comentário: