30 julho, 2014

E no fim eu não morri.... Ainda não!


Eu vou comer Racumim, eu vou comer Racumim, eu vou chegar na minha casa e comer uma caixa de Racumim... não... peraí... eu não tenho Racumim em casa! Não importa, vou engolir Baygon, Baygon eu tenho 3 frascos e vou engolir o quanto for necessário, não vou morrer feito rato, vou morrer feito barata, nada diferente do que sempre fui... Era o que eu pensava, enquanto segurava as lágrimas e esperava ele tocar no assunto, resgatar o tema e os porquês da briga da noite anterior, e fatalmente me dizer que não dava mais... dizer a verdade que todo mundo sabe, que eu sou impossível de se conviver...
Que eu vou morrer é uma certeza absoluta, a dúvida é quanto vou durar, e ali eu estava certa de que era o fim. Não ridiculamente por causa de um "homem", "se matar por causa de macho??? Absurdo!" é o que todo mundo diz, mas hipócrita é quem diz isso que não se dá o trabalho de pensar o que levou alguém a chegar nesse extremo. Eu ia me matar, sim. Não "por causa de macho", nem por causa do amor da minha vida, que sim, acredito ser! não! não era por ele, nem por sua decisão fatídica, era por mim. Eu ia morrer pelo que sempre fui, pelo que sempre quis, e pelo que nunca tive. Uma vida de verdade! Me desculpem hipócritas, mas não consigo ver sentido em viver se não for para ser feliz, para ter um objetivo, e ter forças pra lutar por tal e enfim... não sei viver sem razão nem porquê! e... desculpem hipócritas parte 2, posso ter o melhor emprego, um filho lindo (que sim, me perdoe, o deixaria...), não posso ser feliz sem uma família... algo que nunca tive, que sempre quis, sempre lutei e sempre me fodi (desculpem puritanos...) eu estava disposta a morrer sim... de cansaço. Porque tanto nadei e a corrente me levou. Porque se não for desta vez, sim, hipócritas, vou morrer de amor! Se sou covarde para comer Racumim, como tantas vezes pensei em fazer e não o fiz, ou tomar Baygon, vou morrer por não comer, ou vou morrer por simplesmente me abandonar, basta decidir me deixar ir... cada dia, mais e mais... Cansei de mim. cansei de ser assim e não vejo modo de mudar! não quero nada de mais! eu só quero alguém e não ser mais só. Quem toma café da manhã jamais vai entender o que estou dizendo e vai me condenar ao inferno por falar assim. Que me condenem hipócritas, sou ateia, porque até isso descobri: Não existe ninguém velando por mim! Se não sou eu a resolver tudo, nada será solucionado. E se Deus existe, ele é um velho, pedófilo e sádico, e eu não quero nada com esse cara!
Eu ia... eu estava certa disso enquanto aguardava o disparo final. Me lembrei das outras vezes, de toda a dor no peito, da falta de ar e do buraco, o maldito buraco que se forma dentro de mim, e que me engole, de dentro pra fora, me suga pra dentro de mim e me engole!
Me lembrei de todas as lágrimas, e de todo o conforto de chorar até vomitar, me dobrar, continuar a chorar, e dormir... a lembrança de como a depressão é uma droga, que te afunda, e você gosta! Porque eu sou assim... sempre fui... nunca fui boa o suficiente pra este mundo, nem pra ninguém, nunca conseguir ser boa nem pra mim! pior ainda pra mais alguém! E esta forma de me anestesiar de algum jeito me manteve até aqui.
Eu aguardava o disparo final. Meu coração estava acelerado, a decisão estava tomada, de algum modo era o fim. Eu tremia. Não queria que ele visse, eu o olhava com olhos de adeus. Ele era tudo o que eu queria. eu sonhava com o futuro e com um "finalmente", e ali o meu "finalmente" teria um fim.

(Algum dia de maio...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário