25 janeiro, 2014
Eu, um cão
Eu, fruto do descaso e da dor.
Poeta do desejo da morte,
escondida nos cantos pútridos
onde o desapego faz guarida
a quem não tem onde cair.
Eu, poeta do desejo constante e da covardia.
Poeta do ódio habitante da ausência do amor.
Poeta da perda, do pó, da fome e da dor.
Poeta dos pulsos cortados,
renegado descaso de Deus.
Beleza maldita onde habita a discórdia e a loucura.
Existência débil, carente de força para se auto-consumir.
Poeta do podre,
poeta dos olhos que saltam das órbitas
e da alma em um constante desfazer.
Poeta de mim que ainda não descobri onde me perdi.
Poeta desse Deus imperdoável.
Poeta de minhas asas que algum dia hei de voltar a voar.
Poeta de toda a dor, toda a loucura,
todas as lágrimas e todo o desejo de morrer.
Poeta daquilo que ninguém ousa dizer,
Poeta maldita, poeta de merda,
Poeta eu!
Assim,
parida, consumida, mal-engolida.
Poeta da dor da alma de quem não consegue paz nem para partir.
Poeta da mentira, da falsa vida bonita e do sorriso feliz.
Poeta da cara de anjo e da alma de Cão.
Poeta de quem é obrigada a estar aqui.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário