15 setembro, 2013

Ele e sua cruz

Naquele quarto abandonado, de paredes sujas e descascadas,
Cheirando a mofo e repleto de ilusões esquecidas.
Havia um Cristo pendurado, feito em fios de metal, velho retorcido,
Judiado por tantas idas e vindas a algum lugar,
A lugar nenhum,
Fora ali deixado por um antigo morador, alguém que se foi sem dizer muitas palavras,
Talvez sem paciência para recolher seus pedaços, ou talvez estivesse mesmo cansado daquele Cristo,
Talvez não mais lhe trouxesse resultados,
Talvez tantos talvezes que me pus a imaginar o que faria uma pessoa de fé cristã abandonar sua maior representação assim, em um lugar tão triste.
Tive pena daquela imagem e a recolhi.
Ironia o pobre Cristo abandonado agora viver abrigado por uma ateia.

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