O som era hipnótico.
Enquanto caminhava sob o sol, olhava as nuvens em forma de chumaços de algodão.
Não podia sentir meus pés. A sensação do vazio tomava conta de mim, e, em um micro segundo tomou conta de tudo ao meu redor.
Os chumaços de algodão ainda estavam lá mas era como se agora eles fizessem parte de outra dimensão.
E como um turista japonês, eu contemplava aquele mundo que acabara de se revelar perante meus olhos,
Não havia mais som e todas as formas eram luz. Pessoas que antes por ali transitavam se tornaram meros coadjuvantes em uma tomada de segundo plano.
Sentia apenas o vácuo dentro de mim, como um buraco negro, sugando todo meu ser para dentro de si.
-Eu morri, pensei, finalmente eu morri! Agora vejo como é o vazio de tudo. Como é estar livre de emoção!
Senti uma calma como nunca antes havia sentido, não podia sentir meu corpo mas sei que naquele instante eu sorri. Sorri para este mundo despido que desfilava diante dos meus olhos, sorri para a luz que tomava conta de tudo, sorri para o vazio que entrou e ocupou o lugar dos desesperos, das dores, das lágrimas e de tudo o que antes havia em mim.
Sorri para o tentador desejo de permanecer ali.

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