27 março, 2012

Sentença perpétua

Ando pelas ruas, vejo tantos olhares, tantos que vem e que vão.
Tantas pessoas.
Ando pelo vazio que há dentro de mim.
Era uma sexta-feira fria, ou treze, quando você se foi sem dizer adeus.
No fundo de meu coração oco se estampou
em ecos e ruídos tua imagem, teu sorriso, me sorrindo.
É impossível assimilar um adeus que não existiu.
Caminho, passo praças, cantos,
Canto a mais triste canção.
No oco de meu coração me recolho.
Dentro de mim, sentada nesta sala escura e vazia,
em um balanço repetitivo, entoando velhas canções,
aquelas que nos faziam felizes,
agora são os acordes de minha agonia.
No oco, as palavras nunca ditas ecoam.
Tudo é escuro e triste.
No eco te procuro,
Não te encontro, e volto àquela BR transvestida de ilusão
onde te vi pela última vez.
Ironicamente a mesma BR onde decidiram tirar você de mim. 
Porque todo chão é o mesmo chão onde o espaço/tempo é relativo.
E não importa.
Como um juiz proferindo uma sentença perpétua, ainda escuto tua voz dizendo:
- Me espere!
E eu que respondi sim.
Agora, em ruídos e ecos, em um oco infinito, estou aqui, buscando-te em cada por do sol.
Tentando encher meu vazio com tua risada escancarada.
Tentando inventar um adeus.
Em um clamor silencioso por piedade, esperando.
O dia de ter teu sorriso novamente.

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